A cor é o primeiro sinal que o cérebro processa numa marca, antes de ler o nome ou de perceber a forma do logótipo. Uma paleta de cores bem construída não serve para deixar as coisas bonitas: serve para tornar a marca reconhecível em meio segundo, dar hierarquia ao que o leitor vê primeiro e evitar que cada peça nova (um anúncio, uma embalagem, uma página) pareça de uma empresa diferente.
Este guia cobre as duas metades do assunto. Primeiro a teoria que resolve 90% das dúvidas: o círculo cromático, as cores complementares e as restantes harmonias, o significado das cores e o que a psicologia das cores realmente permite concluir. Depois a parte técnica que quase ninguém explica: como se escolhe a cor primária, como se constrói a escala de tons, o que é um código hexadecimal, porque é que a cor muda do ecrã para o papel e quando é que vale a pena pagar Pantone.
No fim tem uma ficha técnica preenchida com uma paleta real, a nossa, e uma lista de verificação para fechar a sua sem deixar buracos.
Escolha uma cor primária alinhada com a promessa da marca e com um contraste real face à concorrência directa. Junte uma ou duas secundárias tiradas do círculo cromático (complementares para contraste, análogas para harmonia), dois ou três neutros e as cores funcionais de erro e sucesso. Aplique na proporção 60-30-10, fixe HEX, RGB, CMYK e, se imprimir muito, Pantone. Confirme 4,5:1 de contraste em qualquer texto antes de fechar.
O Que É uma Paleta de Cores
Paleta de cores: conjunto fechado e documentado de cores escolhidas para representar uma marca ou um projecto, em que cada cor tem uma função atribuída (dominar, destacar, sustentar, alertar) e um valor exacto registado para ecrã e para impressão.
A palavra-chave da definição é função. Uma paleta não é uma coleção de cores que combinam entre si: é um sistema de decisão que responde à pergunta “que cor uso aqui?” sem obrigar ninguém a pensar. Se duas pessoas diferentes da mesma equipa desenharem duas peças e chegarem ao mesmo resultado cromático, a paleta está bem feita.
A Anatomia de uma Paleta
Uma paleta profissional tem quatro camadas, e a maioria das paletas amadoras só tem a primeira:
- Primária: a cor que fica associada à marca. É a que aparece no logótipo, nos títulos e nas áreas de assinatura. Uma só.
- Secundárias: uma ou duas, para hierarquia e destaque. Existem para apoiar a primária, não para competir com ela.
- Neutros: dois ou três (um escuro para texto, um claro para fundo, um cinzento intermédio para linhas e texto secundário). São o que ocupa mais área na prática.
- Funcionais: verde de sucesso, vermelho de erro, âmbar de aviso. Não são cores de marca, são cores de interface, e se não as definir alguém vai inventá-las a meio de um projecto.
Paleta, Esquema e Escala: Três Coisas Diferentes
Um esquema de cores é a relação matemática entre matizes (complementar, análoga, tríade). Uma paleta é a lista concreta de cores que resultou dessa escolha. Uma escala de tons é o degradê de cada cor da paleta em variantes mais claras e mais escuras, que é o que permite usar a mesma cor num fundo, num texto e num estado de hover sem perder identidade. Falta quase sempre a terceira, e é a que faz a diferença num projecto digital.
Onde a Paleta Vive Depois de Definida
Uma paleta que existe apenas num ficheiro do designer degrada-se em três meses. Precisa de estar registada em três sítios: no manual de identidade visual, junto aos tipos de letra e às regras de aplicação do logótipo; nas variáveis do site (variáveis CSS ou design tokens, para que ninguém escreva um HEX à mão numa página nova); e num documento de uma página que se envia à gráfica e ao fornecedor de sinalética.
O Círculo Cromático: Como Funciona na Prática
O círculo cromático (ou roda das cores) organiza os matizes por posição angular, de forma a que a distância entre duas cores no círculo descreva a relação visual entre elas. É a ferramenta mais antiga do design gráfico e continua a ser a mais rápida para combinar cores sem tentativa e erro.
Ferramenta grátisCriador de LogótiposGere ideias de logótipo no navegador e descarregue a que servir de ponto de partida.AbrirPrimárias, Secundárias e Terciárias
No círculo tradicional de pigmento (RYB), as primárias são o vermelho, o amarelo e o azul; as secundárias (laranja, verde, violeta) resultam da mistura de duas primárias; as terciárias são as seis intermédias, do tipo azul-esverdeado ou vermelho-alaranjado. Este modelo é o que se ensina nas artes visuais e o que descreve melhor a mistura de tintas.
Nos ecrãs, o modelo é outro: as primárias são vermelho, verde e azul (RGB) e as secundárias são ciano, magenta e amarelo. Consequência prática, e é a que confunde muita gente: o oposto do azul no círculo de pigmento é o laranja, mas no círculo RGB é o amarelo. Se estiver a escolher cores para um site, use uma ferramenta baseada em HSL (que segue a lógica RGB); se estiver a misturar tintas ou a pensar em pintura, o círculo RYB descreve melhor o resultado.
Matiz, Saturação e Luminosidade
Estas três dimensões são a linguagem em que se trabalha uma paleta a sério:
- Matiz (H): a posição no círculo, de 0 a 360 graus. É “que cor é”.
- Saturação (S): a intensidade, de 0% (cinzento) a 100%. Saturação alta lê-se como energia e urgência; saturação baixa lê-se como sofisticação e calma.
- Luminosidade (L): quão claro ou escuro, de 0% (preto) a 100% (branco). É esta que determina o contraste e, portanto, a legibilidade.
Quando uma paleta “não funciona” mas não se percebe porquê, o problema é quase sempre luminosidade, não matiz: duas cores com luminosidade parecida vibram e cansam a vista, mesmo que a combinação seja teoricamente correcta. Converta as duas para escala de cinzentos: se ficarem iguais, tem de mexer no L de uma delas.
Ferramentas de Círculo Cromático
Para trabalhar as harmonias sem contas, três opções que fazem exactamente isto: o Adobe Color (a roda interactiva com todas as regras de harmonia e exportação para bibliotecas da Creative Cloud), o Paletton (o mais completo para ver a mesma harmonia em quatro variações de tom ao mesmo tempo) e o nosso círculo cromático, que devolve directamente os códigos prontos a copiar.
Cores Complementares: O Contraste Que Chama a Atenção
As cores complementares são as que ficam em posições opostas do círculo, a 180 graus uma da outra. São a combinação de contraste máximo que existe e, por isso, a mais útil e a mais fácil de estragar.
Como Encontrar a Complementar de Qualquer Cor
A regra é rodar o matiz 180 graus e manter a saturação e a luminosidade. Exemplo com números: o azul #0057B8 tem matiz 212 graus; a sua complementar está em 32 graus e é o laranja-queimado #B86100.
Atenção a um erro muito comum: inverter o código hexadecimal não dá a cor complementar. Inverter #0057B8 dá #FFA847, um laranja bem mais claro, porque a inversão altera também a luminosidade. Fica uma cor oposta em duas dimensões em vez de uma, e a paleta perde equilíbrio.
Complementares Divididas: Quase Sempre a Melhor Opção
Em vez de usar a complementar exacta, use as duas cores vizinhas dela (a 150 e a 210 graus da original). É a chamada complementar dividida e mantém quase todo o contraste com metade da tensão visual. Para marcas, é a harmonia mais segura: dá um par forte sem o efeito de vibração que as complementares puras provocam quando se tocam em áreas grandes.
O Erro de Usar Complementares em Áreas Iguais
Duas cores opostas em quantidades semelhantes anulam-se: o olho não sabe para onde ir e o contraste deixa de significar “isto é importante”. A complementar deve ser o acento, ocupando uma fracção pequena da área. É exactamente para isto que existe a regra 60-30-10, mais abaixo.
As Outras Harmonias e Quando Usar Cada Uma
Análogas
Duas ou três cores vizinhas no círculo, dentro de um intervalo de cerca de 60 graus (azul, azul-esverdeado e verde). Resultado sereno e coeso, muito usado em bem-estar, saúde e alimentar. Risco: falta de contraste. Resolve-se variando bastante a luminosidade entre elas e reservando uma cor de fora para os botões.
Tríade
Três matizes igualmente espaçados, a 120 graus. Dá variedade e um ar deliberadamente vivo, ideal para infância, lazer e criatividade. Regra de sobrevivência: uma domina claramente e as outras duas descem em saturação, senão o resultado parece um logótipo de anos noventa.
Monocromática
Uma só matiz, variando saturação e luminosidade. É a harmonia mais difícil de errar e a mais usada em marcas premium, porque força a hierarquia a fazer-se por contraste e não por cor. Exige uma escala de tons bem construída, com pelo menos cinco degraus.
Qual Harmonia Escolher para o Seu Caso
| Harmonia | Sensação | Funciona bem em | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| Monocromática | Sóbria, controlada | Serviços profissionais, moda, joalharia, arquitectura | Precisa de escala de tons ampla, ou fica monótona |
| Análoga | Calma, natural | Saúde, alimentar, bem-estar, turismo | Contraste baixo em botões e formulários |
| Complementar dividida | Confiante, com energia | Tecnologia, retalho, educação, desporto | Definir logo a proporção entre as duas |
| Complementar pura | Directa, urgente | Promoções, restauração rápida, eventos | Vibração se as áreas forem semelhantes |
| Tríade | Lúdica, plural | Infância, lazer, cultura, apps de comunidade | Uma tem de dominar de forma óbvia |
Significado das Cores: O Que Cada Cor Transmite
O significado das cores é a soma de três coisas: associações biológicas (o vermelho está ligado à activação e ao alarme em quase toda a parte), convenções culturais (o branco é luto em parte da Ásia e casamento na Europa) e hábito de mercado (o azul domina a banca porque a banca sempre usou azul). Só a primeira é razoavelmente universal.
Leitura Cor por Cor
| Cor | Associações mais comuns | Onde funciona | Onde é um risco |
|---|---|---|---|
| Azul | Confiança, competência, distância | Tecnologia, finanças, saúde, seguros | Alimentar (poucos alimentos são azuis) e sectores já saturados de azul |
| Vermelho | Energia, urgência, apetite, alerta | Restauração, retalho, desporto, promoções | Serviços que precisam de transmitir calma; interfaces onde já significa erro |
| Verde | Natureza, equilíbrio, permissão, dinheiro | Ambiente, alimentar, wellness, agricultura | Marcas sem argumento ambiental real (soa a lavagem verde) |
| Amarelo | Optimismo, atenção, economia | Lazer, infância, low cost, sinalética | Texto sobre fundo claro: é a cor com pior contraste de todas |
| Laranja | Acessibilidade, movimento, informalidade | Serviços a particulares, formação, logística | Segmentos de luxo |
| Roxo e violeta | Criatividade, imaginação, exclusividade | Beleza, cultura, produtos digitais, formação | Sectores muito técnicos ou industriais |
| Preto | Sofisticação, autoridade, peso | Moda, joalharia, arquitectura, premium | Marcas de proximidade e serviços a famílias |
| Tons pastel | Suavidade, cuidado, delicadeza | Beleza, decoração, puericultura, eventos | Qualquer contexto que precise de contraste forte (é o mesmo problema do amarelo) |
O Significado Muda com a Saturação e com a Área
O mesmo matiz diz coisas opostas em condições diferentes. Um vermelho a 100% de saturação em toda a página grita; o mesmo vermelho a 20% de saturação num tom terra lê-se como artesanal e tradicional. Antes de descartar uma cor pelo significado, experimente-a dessaturada: normalmente o problema não era a cor, era a intensidade.
O Significado Muda com o Mercado
Se vende em Portugal e em Espanha, o significado é praticamente o mesmo. Se vende no Golfo, na China ou no Japão, verifique: o verde tem carga religiosa em contexto muçulmano, o vermelho é sorte e celebração na China, o branco é cor de funeral em várias culturas asiáticas. Uma paleta que nunca sai da Península Ibérica não precisa desta análise; uma marca de exportação precisa.
Psicologia das Cores Aplicada ao Negócio
A psicologia das cores é usada em marketing com muito mais certeza do que a investigação permite. Vale a pena separar o que está documentado do que é folclore.
O Que a Investigação Mostra
Dois trabalhos citados com frequência e que valem a leitura: Satyendra Singh, em Impact of color on marketing (Management Decision, 2006), conclui que entre 62% e 90% da avaliação inicial de um produto pode assentar apenas na cor; e Lauren Labrecque e George Milne, em Exciting red and competent blue (Journal of the Academy of Marketing Science, 2012), mostram que a cor influencia de forma mensurável a personalidade atribuída a uma marca, com o vermelho a puxar para “excitação” e o azul para “competência”.
O que estes estudos não dizem é que exista uma cor que vende mais. Não existe. O que existe é adequação entre a cor e a promessa: o efeito aparece quando a cor confirma aquilo que a marca diz ser, e desaparece (ou inverte-se) quando a contradiz.
Diferenciação Vale Mais do Que o Manual
Este é o passo que quase todos saltam. Antes de escolher, coloque lado a lado os logótipos dos seis concorrentes mais visíveis do seu mercado local. Se cinco são azuis, o azul deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser camuflagem, por muito que o “manual da psicologia das cores” recomende azul para o seu sector. A cor primária tem duas funções em simultâneo, significar e distinguir, e a segunda depende do contexto competitivo, não da teoria.
Cor e Conversão: O Que Realmente Muda num Botão
Não há uma cor de botão que converta mais. O que aumenta cliques é o contraste do botão face a tudo o que está à volta, mais a área que ocupa e a clareza do texto. Um botão verde numa página verde tem pior desempenho do que um botão verde numa página cinzenta. É por isso que reservar uma cor de acento exclusivamente para acções, e nunca a usar em decoração, é uma decisão de paleta com efeito directo nas vendas.
Como Criar a Paleta da Sua Marca Passo a Passo
Este é o processo que seguimos em projectos de marca. A ordem importa: quem começa a escolher tons antes de ter a primária fechada acaba sempre a refazer tudo.
- Escreva os três adjectivos da marca. Sem isto não há critério para decidir nada. “Rigoroso, discreto, duradouro” e “acessível, alegre, próximo” levam a paletas incompatíveis, e a conversa tem de acontecer antes da cor.
- Audite a concorrência. Seis logótipos dos concorrentes directos, reduzidos a manchas de cor. Identifique a cor dominante do sector e decida conscientemente se a segue ou se se afasta dela.
- Escolha a cor primária. Uma só, definida com valores exactos de matiz, saturação e luminosidade. Teste-a em três contextos antes de fixar: numa área grande, num texto pequeno e num traço fino de logótipo.
- Construa a escala de tons. Da primária, gere cinco a nove degraus, do mais claro ao mais escuro. É esta escala, e não novas cores, que resolve fundos, estados de hover, bordas e texto secundário.
- Acrescente secundárias e neutros. Uma ou duas secundárias vindas de uma harmonia escolhida à consciência, mais um escuro para texto, um claro para fundo e um cinzento intermédio. Os neutros ganham com uma pontinha da matiz primária, para não parecerem cinzentos de sistema.
- Defina as cores funcionais. Sucesso, erro e aviso. Se a primária for verde ou vermelha, afaste os funcionais o suficiente para não se confundirem com a marca.
- Teste contraste e daltonismo. Todos os pares texto/fundo noWebAIM Contrast Checker e a paleta inteira num simulador como oCoblis ou oColor Oracle.
- Documente e converta. HEX e RGB para ecrã, CMYK para impressão em quadricromia,Pantone se houver cor directa. Uma página, um sítio só, acessível a quem imprime.
Nunca feche uma paleta num mostruário. Uma cor escolhida em quadrados de 200 pixéis lado a lado comporta-se de outra forma quando ocupa 80% de um ecrã ou quando fica reduzida a um traço de 1 pixel. Monte uma página de teste com título, texto corrido, botão, ligação, tabela e rodapé, e só depois decida.
Códigos de Cor: HEX, RGB, CMYK e Pantone
Uma paleta sem valores fixos não é uma paleta. E cada suporte fala uma língua diferente.
O Código Hexadecimal Explicado
Um código hexadecimal descreve uma cor em seis caracteres, no formato #RRGGBB: dois para o vermelho, dois para o verde, dois para o azul. Cada par vai de 00 a FF, ou seja de 0 a 255 em decimal, o que dá 16 777 216 combinações possíveis.
Como ler um HEX à primeira vista: se os três pares forem iguais (#8A8A8A) é um cinzento puro; se o primeiro par for o mais alto, a cor puxa para vermelho; valores altos nos três pares dão uma cor clara, valores baixos uma cor escura. A forma abreviada de três caracteres (#FFF) é apenas a duplicação de cada um (#FFFFFF). Já #RRGGBBAA acrescenta dois caracteres de opacidade, suportados nos navegadores actuais.
RGB e CMYK: Porque a Cor Muda do Ecrã para o Papel
🖥️ RGB (ecrã)
- Síntese aditiva: luz somada, o máximo dos três dá branco.
- Gamute largo, sobretudo em azuis e verdes vivos.
- Depende do ecrã e do perfil (sRGB é o mínimo comum, Display P3 é mais amplo).
- Usado em: sites, redes sociais, apresentações, vídeo.
🖨️ CMYK (impressão)
- Síntese subtractiva: tinta sobre papel, a soma tende para o escuro.
- Gamute mais estreito: não reproduz azuis eléctricos nem verdes fluorescentes.
- Depende do papel e do perfil ICC (ISO Coated v2/FOGRA39 em couché, PSO Uncoated v3 em papel não revestido).
- Usado em: cartões, panfletos, catálogos, embalagem.
Consequência prática: a conversão automática de RGB para CMYK vai achatar as cores mais saturadas, e ninguém gosta da surpresa. Duas medidas evitam-na. Primeira, escolha a primária pensando desde início na impressão, se a marca vive muito em papel: um azul a 100% de saturação em ecrã não existe em quadricromia. Segunda, peça uma prova de cor calibrada à gráfica antes da tiragem, no papel definitivo, e trate-a como a referência (o mesmo ficheiro em couché brilhante e em papel reciclado dá duas cores diferentes, e ambas estão correctas).
Cores Pantone e Quando Vale a Pena
As cores Pantone são um sistema de cores directas: tinta já misturada segundo uma receita fixa, aplicada num corpo de impressão próprio, em vez de simulada com quatro tintas de quadricromia. O catálogo de referência é o Formula Guide, com mais de dois mil tons, e os sufixos indicam o suporte: C para papel revestido (coated), U para papel não revestido (uncoated), TCX e TPG para têxtil. A mesma referência em C e em U parece outra cor, por isso a paleta tem de indicar qual delas é a oficial.
A favor de usar Pantone
- Consistência real entre gráficas, papéis e países.
- Reproduz cores impossíveis em CMYK (fluorescentes, metálicas, azuis muito vivos).
- Cor sólida e uniforme em áreas grandes, sem retícula visível.
- Indispensável em sinalética, têxtil e tinta de parede, onde não há quadricromia.
Contra
- Encarece tiragens pequenas: é mais um corpo de impressão e mais uma limpeza de máquina.
- Desde 2022 as bibliotecas Pantone deixaram de vir incluídas nas aplicações da Adobe e exigem a subscrição do Pantone Connect.
- Os leques físicos desactualizam-se e desbotam, e a versão actualizada custa dinheiro todos os anos.
- Irrelevante para quem só existe em digital.
Regra simples: se imprime menos de mil unidades por ano e nada em têxtil ou sinalética, fique em CMYK bem perfilado. Se tem embalagem, frota, fardas ou fachada, defina Pantone desde o primeiro dia.
Ficha Técnica de Cor: O Documento Que Falta Sempre
Esta é a nossa própria paleta, no formato em que a entregamos. Os valores CMYK vêm de conversão com o perfil ISO Coated v2 e devem ser confirmados na prova de cor da gráfica; as referências Pantone são aproximações ao tom mais próximo do Formula Guide.
| Função | Nome interno | HEX | RGB | CMYK | Pantone (aprox.) | Onde se usa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Primária | Tinta | #161616 | 22, 22, 22 | 60/40/40/100 (preto rico) | Black 6 C | Fundos de destaque, títulos, rodapé |
| Acento | Ouro | #C5A958 | 197, 169, 88 | 0/14/55/23 | 4525 C | Filetes, números, botões, detalhes |
| Neutro escuro | Cinza pedra | #9A978F | 154, 151, 143 | 0/2/7/40 | Warm Gray 6 C | Texto secundário, linhas, legendas |
| Neutro claro | Creme | #F4F1EA | 244, 241, 234 | 0/1/4/4 | Warm Gray 1 C | Fundos de caixa e de secção |
Repare no que a tabela obriga a decidir: a coluna “onde se usa” é a que impede a paleta de se degradar. Sem ela, o ouro acaba a servir de fundo de página em algum lado, e o acento deixa de ser acento. Para organizar todos os códigos de uma paleta num só sítio, incluindo variantes de tom, pode usar a nossa tabela de cores.
Ferramentas e Geradores de Paleta de Cores
Um gerador de paleta de cores não substitui a decisão estratégica dos passos 1 e 2, mas acelera muito os passos 4 e 5. Estas são as que usamos, com a função concreta de cada uma:
Para Gerar e Explorar
- Coolors: o mais rápido para gerar e travar cores uma a uma. Exporta em HEX, RGB, CSS, SVG e PDF, e extrai paletas de uma imagem.
- Adobe Color: a roda de harmonias mais rigorosa, com verificação de acessibilidade e de daltonismo integrada.
- Khroma: treina-se com as cores que gosta e depois gera combinações no seu gosto. Útil para sair de um bloqueio.
- Colormind e Huemint: geram paletas já distribuídas por função (fundo, texto, acento), o que é mais próximo do que um projecto precisa do que cinco quadrados soltos.
- A nossa paleta de cores online, que constrói a combinação completa a partir de uma única cor e devolve os códigos prontos a copiar.
Para Construir Escalas de Tons
- Leonardo (Adobe): gera a escala a partir de rácios de contraste alvo, não a olho. É a diferença entre uma escala bonita e uma escala utilizável.
- Radix Colors e Open Color: escalas já feitas e testadas, incluindo pares para modo escuro. Bom ponto de partida para os neutros.
Para Testar
- WebAIM Contrast Checker: o padrão para verificar rácios contra a WCAG.
- Realtime Colors: aplica a paleta numa página de exemplo completa em tempo real, o que resolve o problema do mostruário.
- Coblis ou Color Oracle: simulação de daltonismo, incluindo protanopia e deuteranopia.
- Stark: verificação de contraste dentro do Figma, durante o desenho.
Paleta de Cores para Site: Da Paleta ao Sistema
Uma paleta de cores para site tem exigências que o papel não tem: estados interactivos, modo escuro e um requisito legal de acessibilidade.
A Regra 60-30-10
A distribuição que funciona na esmagadora maioria dos casos: 60% de neutro dominante (normalmente o fundo), 30% de cor secundária ou de neutro escuro (texto e grandes blocos), 10% de acento (botões, ligações, dados importantes). Quem inverte esta proporção e usa a cor de marca em 60% da página fica com um site que grita e onde nada se destaca, porque tudo se destaca.
Modo Escuro Não É Inverter
Não se faz modo escuro trocando o branco por preto. Duas regras: o fundo escuro deve ser um cinzento muito escuro com um toque da matiz primária (algo como #12141A), nunca preto absoluto, porque o preto puro aumenta o cansaço visual; e as cores saturadas têm de ser dessaturadas e clareadas, senão parecem vibrar sobre o fundo. Na prática, cada cor de marca precisa de uma variante própria para modo escuro, documentada como tal.
Acessibilidade: Os Números Concretos
As WCAG 2.2, nível AA, pedem 4,5:1 de contraste entre texto normal e fundo, 3:1 para texto grande (a partir de 24 px, ou 18,66 px em negrito) e 3:1 para elementos de interface não textuais, como a borda de um campo de formulário ou um ícone que transporte informação. E um requisito que não é de contraste mas é de cor: a informação nunca pode depender apenas da cor. Um campo em erro tem de ter ícone ou texto, não só borda vermelha, precisamente porque cerca de 8% dos homens não distingue vermelho de verde com fiabilidade.
Cores para Logotipo: Regras Diferentes
As cores para logotipo obedecem a restrições mais duras do que o resto da paleta, porque o logótipo é a peça que vai aparecer nos sítios que não controlamos.
Tem de Funcionar a Uma Cor
Se o logótipo depende de um degradê ou de três cores para ser legível, vai falhar no primeiro fax, na primeira gravação a laser, no primeiro carimbo e no primeiro bordado. Desenhe-o a preto sobre branco e só depois lhe acrescente cor. Este teste elimina, sozinho, metade dos problemas futuros de aplicação e é uma das primeiras coisas que fazemos ao criar um logótipo.
Quatro Versões, Sempre
Positivo a cores, negativo a cores (para fundos escuros), monocromático a preto e monocromático a branco. Cada uma exportada em SVG, PNG com fundo transparente e PDF vectorial. Sem as quatro, alguém vai improvisar, e o improviso costuma ser um PNG com fundo branco por cima de uma fotografia.
Área de Protecção e Fundos Permitidos
Defina que cores da paleta podem servir de fundo ao logótipo e, sobretudo, quais não podem. O acento é quase sempre um fundo proibido: um logótipo dourado sobre fundo dourado é invisível, e é o género de erro que só se descobre depois de imprimir mil sacos.
Os Erros Mais Comuns numa Paleta
Demasiadas Cores
Três a cinco cores resolvem a maioria dos negócios. Quando a paleta chega a oito, deixou de haver hierarquia e cada peça nova passa a ser uma decisão em vez de uma aplicação. Marcas com muitas linhas de produto podem ter paletas maiores, mas partem sempre de uma cor âncora comum.
Cores Sem Função Atribuída
Uma cor na paleta que não tem uma linha na coluna “onde se usa” vai ser usada ao acaso. Ou lhe dá um trabalho, ou a tira da paleta.
Nenhum Neutro a Sério
Os neutros ocupam mais área do que qualquer cor de marca e são os primeiros a ser escolhidos ao calhas. Um cinzento genérico do sistema faz uma paleta cuidada parecer amadora; um neutro com um vestígio da matiz primária faz a paleta parecer desenhada.
Definir Só o HEX
Quem fixa apenas o HEX descobre a paleta pela primeira vez na altura em que a gráfica pergunta os valores CMYK, e nessa altura decide alguém que não é o dono da marca. Fixe os quatro sistemas de uma vez.
- Uma primária, no máximo duas secundárias, dois ou três neutros e três funcionais.
- Escala de tons com pelo menos cinco degraus em cada cor de marca.
- Todos os pares texto/fundo acima de 4,5:1 (3:1 em texto grande).
- Paleta testada em simulador de daltonismo, e nenhuma informação depende só da cor.
- HEX, RGB e CMYK registados;Pantone se houver impressão em cor directa, com sufixo C ou U indicado.
- Variantes definidas para modo escuro.
- Coluna de utilização preenchida para cada cor, incluindo os fundos proibidos do logótipo.
- Contraste real face aos concorrentes directos, verificado com os logótipos lado a lado.
Perguntas Frequentes sobre Paletas de Cores
Como descobrir o RAL de uma cor?
Como combinar cores ao vestir?
Como usar a roda das cores?
Como posso descobrir a minha paleta de cores?
Que cores ficam bem juntas?
Uma paleta de cores documentada é a peça que faz o resto da marca aguentar-se: sem ela, cada peça nova é uma negociação. Se quiser uma paleta desenhada à medida, com escala de tons, valores para ecrã e para impressão e regras de aplicação integradas num sistema de marca completo, é isso que a nossa equipa de design gráfico entrega.





